Cultura dos Tapetes

O que é um tapete genuíno, persa ou oriental?

A principal característica de um tapete persa (ou oriental) genuíno é ligada à sua manufatura: ele é inteiramente feito à mão com materiais de origem natural (com exceção de algumas anilinas sintéticas utilizadas mais recentemente).

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Países produtores

Tradicionalmente estes tapetes são manufaturados nos países da Ásia, Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal até a China incluindo a região do Cáucaso e as ex-repúblicas soviéticas como Georgia, Armênia, Dagestão, Uzbequistão, Tadjiquistão, Azerbaijão etc. Pesquisas arqueológicas mostraram que este artesanato existe há mais de mil anos.

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Manufatura

Basicamente os tapetes feitos à mão tem uma fundação, ou trama, constituída de fios verticais, cujas extremidades são a franja do tapete, e horizontais, que separam as fileiras de nós. Com um fio de lã o artesão faz um nó em volta de dois fios verticais consecutivos, todos eles esticados num tear, e corta as extremidades que formaram o “veludo” ou superfície do tapete. Acabada uma fileira ele passa um ou dois fios horizontais para separá-la da seguinte, assim dando firmeza e durabilidade ao tapete. A densidade dos nós é um dos fatores que determina a qualidade do tapete.

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Variações técnicas

Paralelamente à fabricação de tapetes com “veludo” os artesãos também produzem variações do tipo “Kilim” e “Sumak”.
O “Kilim” é uma trama cujos fios horizontais são de vários cores que formam os desenhos. Geralmente de origem tribal, estes kilims são rústicos e decorativos. O “Sumak” é um tipo de bordado aplicado sobre os fios de trama. A maioria são originários do Cáucaso.

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Matéria Prima

A principal matéria prima é a lã de carneiro. Ela serve tanto para a trama do tapete quanto para seu “veludo”. Também são utilizados o algodão, a seda e ocasionalmente lã de cabra ou de camêlo. Existem vários tipos de lãs tipo virgem, fibras longas ou curtas. As lãs virgens são usadas para os tapetes finos com densidade de nós elevada.

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Procedência

Os tapetes orientais podem ser classificados em três categorias:
1. Os tapetes de origem tribal – São manufaturados inteiramente de lã, com desenhos geométricos mais simples. Eram feitos originalmente para uso próprio ou como mercadoria de troca. Citamos Kashkai, Shiraz, Yalameh, Afshar, etc
2. Os tapetes de aldeias – Estes são mais elaborados. Dependendo da região, utilizam o algodão para a trama e a lã para o veludo. Os desenhos são grandes e podem ser florais ou geométricos. Citamos Bidjar, Mahal (Ziegler), Malayer, Meimeh, Hamendan, Bakhtiar, Sarouk no Irã; Khonduz, Khal-Mohammed, Ersari, Gandehar no afeganistão; Tekke, Yomut, Buckhara, Shirvan no Cáucaso.
3. Os tapetes dos grandes centros urbanos – São os mais “trabalhados”. Utilizam o algodão para trama, a lã virgem para o veludo e também a seda, tanto para a trama como para o veludo. São produzidos em oficinas especializadas para fins comerciais locais ou de exportação.

No Irã são cidades como Tabriz, Kashan, Nain, Isfahan, Ghom, Moud, Kerman etc. Na Turquia Hereké ou Uschak. No Paquistão Lahore, na Índia Agra.A densidade de nós destes tapetes urbanos pode variar entre 400.000 e 1.000.000 por metro quadrado, permitindo a execução de desenhos muito sofisticados e elaborados. Se o artesão julgar que seu trabalho é digno do seu nome ele coloca sua assinatura, geralmente na barra.

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Os desenhos

A cultura e o modo de vida do artesão determina os desenhos do tapete. Que podem variar de muito simples a extremamente sofisticados ou lisos. Os costumes, a localização geográfica, o perfil sócio cultural tem infruência marcante na história dos tapetes.
Podemos dividir os desenhos em três categorias diferentes: Florais, Geométricos e Contemporâneos.
FLORAIS – Os desenhos florais são elaborados sobre papel milimétrico para guiar o artesão principalmente nos grandes centros urbanos. Normalmente o tapete é constituído por um medalhão central cercado por uma estrela com 8 ou múltiplo de 8 pontas ( 16, 32). Em volta tem o campo central que é dividido em 4 partes iguais cercado por uma barra maior, e outras menores chamados de “bordas”.
Os desenhos repetitivos sem o medalhão são chamados de “all over”. Este tipo de desenho permite uma certa flexibilidade na hora de decoração da casa pois não exige uma centralização perfeita do tapete ou dos móveis.
Existem desenhos assimétricos do tipo oração (direcionado), ou de animais e pássaros (paraíso), ou de teto ou porta de mesquita (Gombad ou Moharamat). Os desenhos não catalogados são chamados “nakshe galat”(sem padrão).
É muito importante observar que a qualidade de um tapete, isto é a densidade dos nós, não tem relação com seu desenho. Os tapetes turcomanos, alguns tapetes caucasianos e turcos são muito finos com desenhos simples e repetidos.
GEOMÉTRICOS – Os desenhos geométricos são produzidos pelas tribos nômades ou pequenas audeias e lugarejos. Constituem desenhos simples com poucas combinações de cores. São confeccionados por vários membros da família portanto podem apresentar desenhos irregulares e nuança nas cores “abrash”. Tem coloridos alegres e motivos primitivos e não necessitam de planejamento para a sua execução.
Os tapetes florais são obras de arte sofisticadas em oposição a genuinidade e rusticidade dos tapetes tribais que são obras de arte primitivas.
MODERNOS – Os tapetes modernos são lisos com linhas retas ou alguns detalhes nas bordas. Normalmente são monocromáticos com a predominância das cores pasteis. Citamos como exemplo os Gabbeh’s e os Nepais ou Tibetianos.

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As cores

Os corantes utilizados para tingir a lã, ou a seda, são de origem natural: vegetal, mineral ou entomológica (insetos). Os mais comuns são o índigo para os tons de azul, a garança para os tons de vermelho, o açafrão para os amarelos e a casca de árvores para os marrons. O inseto Dactylopius coccus (cochonilha-do-carmin) fornece um corante para um vermelho arroxeado. Dependendo de sua procedência e qualidade o número de cores de um tapete pode variar de 5 à 20. É muito comum encontrar variações de uma mesma cor nos tapetes tribais e de aldeia (“abrash”). Como não há uniformidade no tingimento de uma grande quantidade de lã com instalações precárias, alguns fios ficam diferentes. O aproveitamento de sobra de tapetes anteriores é também uma prática normal. Considerado um aspecto charmoso e original nos tapetes antigos, este fenômeno é reproduzido propositadamente nos tapetes modernos do tipo Zieglers, Kazaks, Heriz, Ushacks e Sarapi´s. Os tintureiros eram considerados verdadeiros bruxos. Os processos de tintura eram segredos passados de pai para filho. Apesar da obtenção de algumas cores utilizadas em tapetes persas e caucasianos antigos é impossível hoje, há técnicas novas que imitam com sucesso a coloração antiga através de lavagens especiais (old wash, tea wash), exposição ao sol (alguns meses) e utilização de tintas naturais e fibras de boa qualidade.

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Classificação

São utilizados dois critérios para classificar os tapetes orientais: sua procedência geográfica e sua procedência étnica. No primeiro caso estão os tapetes das aldeias e cidades. No segundo caso estão os tapetes dos povos e tribos nômades. O especialista identifica um tapete graças a detalhes como os materiais utilizados, a estrutura da trama, a paleta das cores, os acabamentos, os desenhos característicos, a textura, etc.

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Tapetes anttigos, usados ou novos

A partir do início do século XX a pressão comercial exercida pelos países importadores de tapetes orientais acrescida à modernização do modo de vida das tribos nômades provocaram mudanças significativas no artesanato tradicional. Os tapetes anteriores à esta época são considerados “antigos”. Vistos hoje como verdadeiras obras de arte são mais procurados pelos colecionadores e podem atingir preços altíssimos em alguns casos. Os tapetes que tem entre 30 e 80 anos são semi-antigos e os mais recentes são novos.

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Tapetes novos

Com a demanda cada vez maior dos países ocidentais, os países produtores como o Irã, a China, a Índia, o Paquistão-Afeganistão, a Turquia, etc… orientam seu artesãos no sentido de manufaturar tapetes seguindo as tendências e gosto da moda dos clientes europeus, americanos e recentemente brasileiro. Nosso mercado ganhou importância e notoriedade nos últimos 10 anos devido a queda da taxa de importação e crescimento das vendas. Conseqüentemente o Brasil ganhou competitividade e diversidade a nível internacional que beneficiaram o comprador. Com orientação e supervisão dos desenhistas e arquitetos dos grandes importadores, os países exportadores vem sempre tentando aperfeiçoar a qualidade, a combinação das cores e produzindo tapetes charmosos que fizeram sua notoriedade.

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Valor

O valor de um tapete novo é determinado pelo tempo necessário à sua fabricação, pela qualidade das lãs e pela combinação das cores. Quanto mais fino o tapete, mais patinadas as cores, e mais harmonioso o desenho, o tapete é mais caro. O preço de um tapete antigo depende de sua raridade e estado de conservação.

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O tapete como objeto de decoração

Uma vez tomada a decisão de comprar um tapete oriental várias ponderações são necessárias.

Se a finalidade é meramente decorativa um tapete novo é mais adequado. As dimensões necessárias e o orçamento disponível vão determinar as opções possíveis. O tipo de desenho (geométrico, floral, liso) e a cor predominante são escolhidos em função do tipo de decoração do local. Para espaços mais utilizados como corredores e entradas é recomendável tapetes ainda mais resistentes. Sem negligenciar a qualidade, o primeiro critério é a beleza e a harmonia. Feito a escolha, é importantíssimo experimentar durante alguns dias o tapete no seu lugar de destino antes de compra-lo: é a fase do “namoro”. Na hora de fechar o negócio é importante ouvir o seu coração. Há uma lenda no Oriente que diz que o tapete escolhe o seu dono.

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Considerações finais

O estudo do tapete oriental constitui uma verdadeira ciência, vasta e complexa, que exige noções de etnografia, geografia, história, química, lingüística, botânica, entomologia e outras disciplinas. Por isso ao comprar seu tapete é fundamental procurar um especialista idôneo com grande experiência e notoriedade. Ele poderá inclusive dar uma orientação profissional sobre a manutenção, avaliação, seguro e armazenamento.
Existe uma vasta bibliografia sobre o assunto em inglês, francês e alemão. Todos os museus da Europa e dos Estados – Unidos tem um departamento com tapetes orientais, alguns com mais de 500 anos de idade. O tapete mais antigo o “Pazyrick” encontra-se no museu Hermitage de São Petersburgo. Achado numa tumba congelada da Ásia central ele foi datado entre 400 e 300 AC.

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